quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CURA

Pai de divina bondade
Tira de mim o que te desagrada
Sei que estou doente preciso de cura.
Não quero o inferno pela eternidade.
Te peço olha para mim e brada
Filho estás salvo, já tua alma é pura.

Kiko Azeveo 17 / 02 / 2005

TU ÉS

És o caminho, a verdade e a porta,
E para ti não importa o que fui ou o que já fiz.
Em ti Jesus, encontrei felicidade,
A justiça, a igualdade;
És tudo que eu sempre quis.

Jesus é o Cristo, é a pedra e a vida,
Sara as minhas feridas,
Realiza os sonhos meus.
A ti Jesus, entrego meu coração,
E por vezes em oração eu te peço,
Fala por teu filho a Deus.

És o motivo do louvor e da alegria,
És a rocha onde um dia construí meu lar.
Palavra viva; é para ti que eu vivo.
Na vida do crente é motivo até do seu respirar.

Kiko Azevedo 01 / 10 2003

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

LEME

Já me vi cego e perdido,
E tive a vida no olho do furacão.
Não tinha rumo nem destino,
Era mais um no meio da multidão,
Não tinha paz nem ombro amigo,
Era um trapo vivendo em turbilhão.

Hoje minha vida está completa.
Pois encontrei a direção.
Já não me sinto perdido,
Vou para o céu encontrar com Abraão.
Tenho Jesus apontando o caminho
E em meu Deus a certeza de salvação.

Kiko Azevedo 09 / 08 / 2004

segunda-feira, 26 de julho de 2010

INCOMPEENSÍVEL SER

Sei que é impossível compreender.
Me diz; como pode alguém querer,
Ver a luz da lua, menor que a da vela,
Ver aquele aquário como uma cela,
E na prostituta a pureza da donzela.

Sei, meu ser não cabe naquele universo.
E o telefone, é maior que meu pinho.
Um alô distante vale mais que um verso
E tua cachaça é melhor que meu vinho.

Te levo à Bagdá, você vai pra Rocinha.
Eu de Transatlântico, tu de barco à vela.
Vejo mil razões para te satisfazer,
Não sei como pode alguém entender,
O incompreensível ser, mulher.

Kiko Azevedo 20 / 04 / 2004

quinta-feira, 22 de julho de 2010

LÍNGUA MORTA

Meu povo sofre uma crise de identidade,
Mora num tal Green Village
Ou Sunset Boulevard.
Está comendo um danado de hot dog,
Bebendo água em squize.
Ouvindo a parada tecno,
Lanchando no drive tru.

Isso me provoca insônia,
Está acabando comigo.
Da língua mãe ter vergonha,
Querer falar como gringo.

Vejo o meu povo renegar a identidade,
E pra conhecer a cidade,
Diz que faz um city tour.
Faz compras no shopping center,
E está mudando o look.
Fica em stand bay,
E põe as fotos num book.

E pra parecer moderno,
Participa de Workshop,
Diz estar fazendo marketing,
Tem em casa um Home theater,
E no umbigo um piercing.

Pra mostrar que é cult,
Só fala as coisas em off.
Diz que falar isso é in,
E que nossa língua é out.
Que seu visual é fashion,
Que a comida é diet ou ligth.
E que é da high society.

Mesmo estando numa rave,
Só freqüenta a área VIP,
Porque não suporta o rush.
E para tirar o stress,
Ouve música em disk man,
Em um tal de fitness.

Kiko Azevedo 31 / 10 / 2003

terça-feira, 20 de julho de 2010

POSSEIRO

Quando a encontrei,
Percorri a floresta escura.
Sol raiando no horizonte,
Bebi de tua água pura.
Inundei tua fonte,
Invadi teus vales,
Escalei teus montes.

Não aceito mandado;
Aposso-me e invado,
Sem direito a reintegração.
Cerquei tuas matas,
Rios, montes e cascatas;
Armei minha tenda.

Sussurros, urros na noite se escuta.
Derrapei tuas curvas,
Explorei tua gruta,
Deslizei em tuas dunas,
Plantei a semente foi muita labuta.

Reguei tua terra, já colhi teus frutos.
Senti o teu doce, provei o teu cheiro.
Onde fui posseiro, hoje eu sou posse.


Letra - Kiko Azevedo / Música - Willam Guedes 09 / 2003

domingo, 11 de julho de 2010

O AMARGOR DO AÇÚCAR

Seis pares de olhos livres
Seis criaturinhas
Duas iguais
A mais velha
Talvez seis safras
Dois pares de mãos calejadas
O doce do caldo da cana
Traz o amargor
Do julgo de gerações
Seis pares de olhos radiantes
A margem da estrada
Espectadores do novo
Maravilhados
Com os monstros de ferro
Seis criaturinhas esquálidas
Pra matar a fome
Um pacote de fuba
Um refrigerante barato
Oito pares de pés descalços
Dois pares de olhos tristes
Seis pares de mãos lisinhas
Em breve escravos
Do amargo julgo
Da doce cana de açúcar

Kiko Azevedo 11 / 07 / 2010

domingo, 4 de julho de 2010

GRANDEZAS

A distância que nos separa é grande
Maior é a solidão que me encontro
Que é menor que o desejo de te sentir
Maior ainda é a saudade que sinto
Que é menor que o que nos une
Que é maior que tudo
O nosso amor é igual
E diferente de tudo que há
Nos unimos para multiplicar
E estamos divididos pela distância

Kiko Azevedo 26 / 06 / 2010

sábado, 5 de junho de 2010

IONS

Sua aparição é mágica
A tua figura única
Nossa brincadeira lúdica
A separação é ilógica
Mas a situação é crítica
Nossa união dramática
Como uma canção lírica
Somos uma ligação iônica
Nos entendemos sem fala ou mímica
Nos amamos numa cena fantástica
Ou uma realidade mística
Moraríamos até numa casa rústica
Pode ser no pólo norte ou num deserto da África
Pois teu desejo me soa como uma ordem canônica
Mesmo que você seja irônica.

Kiko Azevedo 05 / 06 / 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ELA

Queria não ter percorrido
Tantas estradas e trilhas,
Pra só depois descobrir
Que todos os caminhos
Levam a ti.
Até os caminhos de Roma
Levam a ti.

Gostaria de ter
Todas as palavras,
Ser o maior
Entre os poetas,
Escrever
Todos os livros,
Para tentar te definir.

Poderia estudar
Todos os tratados e teses,
Mas nem mesmo todos
Os tratados escritos,
Ajudam a decifrar
Ou serão suficientes
Para explicar
Teus segredos e truques.

Como entender teus
Mistérios inexplicáveis,
Universo mágico, feitiços,
Loucos os que tentam.
Haverá razão em tua lógica?
Enfim, confesso que tentei, mas
Rendi-me aos teus encantos

 Kiko Azevedo 06 / 02 / 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

REENCONTRO

Dia a dia, pouco a pouco
Vou misturando aqui dentro
De meu peito magrelo e quase oco
É palavra, é idéia, é sentimento
Meu corpo envia mensagens
Está chegando o momento.
Sigo revirando o que sinto
Revejo cheiros e imagens
Recorro a idéias e instinto
Sei que ao chegar o momento
Nada do que faça ou diga
Terá valor ou sentido
Pois todo ouro da terra
E as estrelas do infinito
Terão seu valor diminuído
Se ao me olhar nos olhos
Quando de nosso encontro
Você não disser simplesmente
Te amo.

Kiko Azevedo 01 / 02 / 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

RAIO CONGELANTE

Te ver sob os lençóis
É olhar um Di Cavalcanti ou Picasso
Você fecha a cortina ao entrar no banho
E rasga um Dali em mil pedaços
Olho em teus olhos
Não tenho resposta
Sinto fitar um guarda da rainha
Teu abraço é uma sala com lareira
Mas você me deixa como o Redentor
Me lançando um raio congelante
Estar na cama e não tocar teu corpo
É ter entre nós a muralha da China
 E dormir nu no chão da Sibéria
Teu colo é meu palácio
Hoje não posso ocupá-lo   
Sou dono de um Taj Mahal
Mas tenho que dormir na rua

Kiko Azevedo 07 / 12 / 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

ENTREGA

Minha pitonisa vem me hipnotiza.
Anjo me encanta.
Quero o teu canto que me alucina,
Esse veneno que cega, e me contamina.
Que não tem remédio,
E pra este mal não quero vacina.
Estrela da manhã,
É bom ouvir Djavan.
Curtir o Francis Hime,
Beber até um Daime, pra ficar contigo.
Quero me entregar e pra te amar,
Exponho minha pele.
Te entrego meu peito, arrisco meu umbigo.
Me infiltro num clã,
E corro perigo.


Kiko Azevedo 20/11/03

OLHAR DE TOLO

O nosso amor é um encontro de astros.
Um eclipse que cega o olhar dos tolos,
Que teimam em olhá-lo
Sem as lentes da paixão.
Causando um movimento na galáxia.
Ouvem-se os sons deste encontro.
E a melodia provoca a Lua,
Que antes testemunha não resiste.
Tira o vestido prateado,
Toma o Sol em seus braços
E o cobre de beijos.
O calor da cena contagia Mercúrio,
Que pede a Vênus uma canção de amor.
Marte ruborizado se esconde,
Pedindo a Saturno que empreste os anéis
Para selar este romance,
Deixando Netuno gelado de ciúmes.
Urano, testemunha silenciosa,
Convida Júpiter a falar de seus segredos e mistérios.
Plutão permanece sombrio e distante.
E a Terra, sempre alegre,
A tudo assiste muda de inveja,
Se derramando em lágrimas.


Kiko Azevedo 09 / 03 / 2004

sábado, 17 de outubro de 2009

FOTO

Cumplicidade da esperança criativa,
Antro da política “viva”.
A cidade da Esperança que não morre,
Que recria do pó, queixadas e gurias.
Explosão de Lixo e poesia,
Baixo vôo da cultura RH positívo.
Arena de lobos e gaivotas,
Dos conflitos e concertos,
De paraguaios e baianos.
Centro do globo e da música,
Da dança da Vênus cigana.
Boca do lixo, língua de trapo,
Dedo duro que fere as cordas do meu coração,
Violando o interminável e impossível sonho deste “povo esperança”.



Kiko Azevedo 11 / 08 / 2002

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PAU BRASIL

As crianças brincam sob as árvores;
Uns sonham que são generais
E de suas trincheiras
Fazem discursos inflamados
Defendendo o país.
O capitão conduz a nau Catarineta
Cantando o romance de Catirina e Birico,
Alguns falam de um reino encantado
Onde as riquezas são de todos,
Um é o próprio Drummond
No fazer dos versos.
Tem o que ama a princesa mais linda,
E a princesa que ama o plebeu.
Outro incorpora Cícero,
Sobe no banco e discursa longamente
Sobre política e a queda da bolsa.
E ainda chega o Conselheiro
Avisando que o sertão vai virar mar,
Nisso o mais exaltado pede outro tira-gosto:
É picado, feijoada ou chambaril?


Kiko Azevedo 22 / 09 / 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

LIÇÕES

Busco no corpo as imagens da juventude,
O frescor da pele,
Os primeiros pelos,
O brilho dos olhos.
Encontro os sonhos,
As primeiras lições,
O despertar do amor,
O desejo.
As cicatrizes,
A busca de caminhos,
As dúvidas.
Os tombos,
Feridas que logo cicatrizam,
Marcas das travessuras.
Os pelos incomodam,
O desejo ainda é forte,
Os olhos brilham mais forte
Pelo encontro do amor.
As lições e os caminhos da vida
Trouxeram o aprendizado
E as cicatrizes.
A pele já dá sinais de cansaço,
Continuo sonhando,
Aprendendo,
Caindo e em dúvida.

KIKO AZEVEDO 01 / 09 / 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

NOVEMBRO

É Novembro!
Um dia quente de primavera,
É Novembro,
E o fogo do meu peito,
Bastaria para queimar
Todos os canaviais das Alagoas.
Estás longe, finda a tarde.
Nas curvas do Pilar
Lembro as tuas.
Meu peito arde.
É Novembro!
Tua foto é um aceiro,
Não deixa o fogo
Tomar todo meu corpo.
Tua voz um aguaceiro
A contê-lo.
O toque de tua mão,
É banhar-me no Gunga.
Beijar teus lábios,
É mergulhar na Mundaú.
Kiko Azevedo 11 / 2006

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

DOENÇA CONTAGIOSA

Não sou do contra
Apenas não suporto
Falsos sorrisos, desejos de bom dia
Quando no íntimo se quer dizer
“Vá à puta que pariu”
Não sei ser político
Pra parecer simpático
Não vim a esse mundo pra agradar
Ora bolas não se pode ser verdadeiro
Dizer o que se pensa é chato
Então serei chato até o dia de minha morte
Chega de falsidade, de querer agradar a todos
Quem agrada a todos está sempre mentindo e fingindo
Está sempre enganando alguém
Principalmente a ele mesmo
Pois não tem convicção do que pensa
Está sempre dizendo: “penso como você”
“Você está certo”, “sabe que você tem razão”
Na ausência do outro vai te dizer
“Ele está errado”
E depois te pedir
“Não diga que falei isso, pra não me comprometer”
Ora, me enojam os hipócritas
As coisas têm que ser ditas
Não para agradar ou desagradar
Mas para que a verdade seja sempre conhecida
Já joguei fora as tais oportunidades da vida
Mas não perdi a oportunidade de falar o que penso
Sempre falo o que me dá na telha
E sei que vou ouvir o que não desejo
Gosto de pessoas que falam na minha lata
Dos meus atos falhos, acho isso bom
As coisas têm que ser assim mesmo
As pessoas só falam a verdade quando têm raiva
Ser autêntico e verdadeiro passou a ser a exceção
Quando deveria ser a regra
Hoje há quem diga que
Uma mentira repetida e dita por muitos
Torna-se uma verdade inegável
Quem fala a verdade nos dias atuais
Não é “politicamente correto” é inconveniente
É visto e tratado como portadores
Do Câncer ou Lepra já foram tratados
Muitos não se aproximavam
E outros diziam: ele tem “a doença”
A verdade deveria ser um mal contagioso
Nasci com este mal
Estou doente e meu caso é terminal

KIKO AZEVEDO 27 / 08 / 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

RECICLE

Faça amor, pratique amor.
O amor é singelo.
Verde, azul, vermelho,
Marrom e amarelo.
É reciclável, reaproveitável, retornável.
É rima rica, é rima nobre.
O amor é eterno.
Ah! O ódio, o ódio é fatal,
Não é plástico, vidro, papel,
Resto de comida, “madeira” ou metal.
É corrosivo, radioativo.
Rima com dor, com rancor e mau humor.
É dispensável e repulsivo.
É rima fraca, é rima pobre,
É finito.
O amor é céu, o ódio é inferno.
O amor é renovável
E pode ser cada vez maior e melhor.
Reduza o ódio e o rancor,
Use o bom humor, um denguinho,
Uma pitada de carinho e muito beijinho.
Transforme tudo em amor
E leve pro seu ninho.
O ódio é finito, o amor eterno.
O amor é céu o ódio inferno.
O amor é luz e doação.
O ódio é mesquinho e esbanja,
É escuridão.
É preto cinza e laranja.
Kiko Azevedo 07 / 2009