segunda-feira, 25 de maio de 2026

Sertanejo

 

SERTANEJO

 

O sertanejo é honesto e gente boa.

É incapaz de um gesto à toa.

Quanto mais pobre, mais prestativo.

Rosto sofrido, fala pouco.

Da sua boca a palavra sensata sempre soa.

 

Ser humilde, sincero.

Se lhe dão um mote,

De um seu igual, jamais caçoa.

Cabisbaixo e pensativo,

Não sai logo com uma loa.

Rasga o peito, e num lamento, um aboio entoa.

 

Trabalhador incansável, não conhece vida boa.

Olhar triste, ar sombrio,

A simplicidade em pessoa.

A alegria o transfigura,

 Quando o relâmpago rasga o céu,

 E um trovão ao longe ecoa.

 

 

Kiko Azevedo   16/10/03

SecaSega

 

SECA SEGA

 

Cinza terra seca, seca sob o sol.

Árvores cinza, secas, secam sob o céu.

Azul céu e a sega seca sobre o seco solo cinza.

Brancas nuvens secas cegam sob o céu.

 

E a seca segue, sob o azul do céu;

Que seco do cinza das nuvens cheias,

 Vermelho fica sob o laranja do sol.

 

Molha o olho a pele seca pelo sol,

Que seca a terra cinza sob os pés.

Vidas ficam sob a terra seca.

Ficam peles pela terra cinza,

Molhada pelo belo olho azul ou verde.

 

Belo é o verde cobrindo a terra,

 Sob nuvens cinza e gordas,

Que encobrem o azul do céu e o vermelho sol,

E escorrem laranja sobre a terra úmida,

E segue a sega sob o cinza.

 

  

Kiko Azevedo 22 / 09 / 2003

sábado, 15 de março de 2025

Imenso Vazio

 

Imenso Vazio

 

Cidades cheias de ruas vazias e hospitais cheios

Hospitais cheios de pessoas sentindo o vazio da morte

Ruas vazias e templos cheios de pessoas vazias de Cristo

Ruas cheias de pessoas com barrigas vazias

Casas cheias de panelas vazias

Pessoas com barrigas cheias de fome

Cemitérios cheios de covas cheias e vazias

Cemitérios cheios de enterros vazios de lágrimas e abraços

Pessoas com corações cheios de dor e corpos vazios de abraços

Cidades vazias cheias de festas de pessoas vazias

Pessoas vazias cheias de ódio

Cidades cheias de fábricas e circos vazios

Fábricas e circos vazios de empregos e cheios de pessoas abandonadas por palhaços

País cheio de governos vazios

Governos vazios e governantes cheios de contas cheias

 

Kiko Azevedo, 26 de 03 de 2021

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O grito de dor do escravo, chicoteado por ter fugido, é mais digno que o riso daquele que serve a mesa da casa grande.


Kiko Azevedo 25 / 01 / 2018

sábado, 22 de abril de 2017

TÍTULO DE PROPRIEDADE


Rápido a ordem de reintegração foi cumprida,
O local pareceu praça de guerra.
Pra especulação vai servir a terra,
No Brasil, vale mais a propriedade que a vida.

Rico usa influência da política,
Contra ele a justiça é lenta e lerda.
Os sem tudo morrem na mão da polícia,
Vida de pobre pra justiça é merda.

Cai Dorothy, depois Daniel,
É a floresta de Chico a chorar.
Mais uma força tarefa no papel,
E a matança quem é que vai Pará?

Bota os móveis quebrados no furgão,
Joga esse defunto nojento na vala.
A mulher atira palavras de ordem,
O Estado responde na bala.

Kiko Azevedo 17 / 02 / 2005

domingo, 15 de maio de 2016

VERTICAL

Um
poema
vertical
não
são
palavras
caídas
num canto
de
página.
São
sentenças
do
poeta
que
desabam
sobre
corações
e
mentes.

Kiko Azevedo 15 / 05 / 2016

sábado, 25 de outubro de 2014

RODÍZIO

ALTERNÂNCIA DE PODER OU "RODÍZIO"

SUGESTÃO DE EMENDA CONSTITUCIONAL 

Art. I - Fica instituída a Alternância de Poder ou "Rodízio", para os cargos executivos em todos os níveis (Prefeitos, Governadores de Estado e Presidente da República).

Art. II - Está Cassado o direito e a livre escolha pelo voto, para os cargos executivos em todos os níveis.

Art. III - A partir desta data não serão necessárias eleições para os cargos de Prefeitos, Governadores de Estado e Presidente da República.

ESCOLHA DO PREFEITO, GOVERNADOR OU PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Art. IV – Os partidos escolherão entre seus membros o representante que deverá ocupar o cargo (Prefeitura, Governo do Estado Ou Presidência da República), a que o partido tiver direito dentro do ”Rodízio”. 

I- O membro escolhido para ocupar o cargo que o partido tem direito dentro do “Rodízio” deverá ser apresentado ao congresso nacional, redes de televisão, jornais e revistas de grande circulação 30 dias antes da posse.

II- A forma de escolha do membro a ocupar o cargo que o partido tem direito dentro do “Rodízio” é prerrogativa do partido, podendo inclusive se dar na disputa de PALITINHO (porrinha), PEDRA, TESOURA E PAPEL, COPO D’ÁGUA (quem aguentar beber mais copos d’água antes de ir ao sanitário será o escolhido) OU CONCURSO DE MENTIRA.

III- O representante do partido deverá ser escolhido em convenção que deverá ser realizada em local e ocasião de livre escolha do partido, podendo inclusive ser naquele churrascão do fim de semana.
IV- O membro escolhido só poderá ser indicado para ocupar uma única vez um dos cargos, o que caracteriza o “Rodízio de Poder”. 

V- Só será permitido que um membro de partido ocupe um cargo executivo em um dos níveis de poder uma única vez, para que fique caracterizado o “Rodízio de Poder”.

RODÍZIO DE PARTIDOS

Art. V - Poderão participar do “Rodízio”, todos os partidos e redes, “com ou sem representação” nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas Estaduais e Distritais, Câmara Federal e Senado da República.

Art. VI – Poderão participar do “Rodízio” os partidos e redes, criados até 60 dias antes da posse, portanto 30 dias antes do anuncio do representante a ocupar o devido cargo.

Art. VII – O “Rodízio de Poder”, se dará do partido menor para o maior, fazendo a famosa ESCADINHA DE PODER, dando assim aos partidos menores a chance de ao menos uma vez ocupar um cargo.

a) Quando todos os partidos tiverem participado do “Rodízio do Poder”, será decretado o fim do primeiro.

b) A ordem de ocupação dos cargos do segundo ciclo do “Rodízio de Poder”, pelos partidos deverá se dar nas formas de disputa de PALITINHO (porrinha), PEDRA, TESOURA E PAPEL, COPO D’ÁGUA (quem aguentar beber mais copos d’água antes de ir ao sanitário será o escolhido) OU CONCURSO DE MENTIRA.

Parágrafo único – Revogam-se as disposições em contrário, não sendo aceitas reclamações, mimimis ou churumelas. 

Esta emenda entrará em vigor na data de sua publicação

Kiko Azevedo

Natal, 23 de outubro de 2014.

sábado, 15 de dezembro de 2012

NEVOEIRO


Concluo que sou inconcluso,
Sem você, sou Insípido
Vazio, mar sem algas
Sou mágoa, solidão
Inodoro
Vira lata
Cão sem dono
Longe de teus olhos
Sem destino
Nevoeiro
Confusão
Sou amaro
Absinto
Me sinto
Não peço
Sem você sou mero avesso
Sozinho num mar revesso
Sou água,
Aquário
Peixe sem cor
Longe do farol
Barco a deriva
Naufrágio
Sou frágil
Amargo
Sonhador
Longe de você
Concluo que sou inconcluso
Confesso que sou inconfesso

Franklin Mário  / Kiko Azevedo 15 / 12 / 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SOMOS UM


Meu corpo traz as marcas de tua presença
Trazes no teu meus sinais
Estou presente em tua vida
Estás cravada em minha carne
Somos um
Suspiras por mim
Respiro você
Estás impregnada em mim
És meu sangue
Meu corpo é teu
Teus lábios me bastam
Segues em minha direção
Meu rumo é o teu
Meus caminhos te seguem
Minha mente está contigo
Sou unicamente teu

Kiko Azevedo  02 / 11 / 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DISTANTE


Para a menina que sonha
Para a criança que brinca
E essa dor afastar
Eu tenho que escrever
Para os que amam dizer
Para o poeta viver
E a solidão espantar
Eu tenho que escrever
Para os que dormem acordar 
Para o povo alertar
E o político calar
Eu tenho que escrever
Para chorar feito louco
Ter você como foco
E essa angústia bastar
Eu tenho que escrever
Para a alegria sorrir
Meu coração te abrir
E a tristeza chorar
Eu tenho que escrever
Para dizer que te amo
Para que saiba o que sinto
Ao de você me afastar
Eu tenho que escrever...


Kiko Azevedo 21 / 10 / 2012

sábado, 23 de junho de 2012

FLORES DE REALENGO


O outono inicia, flores e botões choram
O louco abateu as flores
A manhã é de sol
A estação é fria
Outras flores e botões derramam seiva
Flor é pra colher, não para abater
Realengo precisa
Daquele alô, do abraço e do carinho
Meu, seu, do Gil e do Brasil
O dia é frio
O jardim perdeu doze flores
O louco ferido pelo ferrão da abelha
Uma flor perde uma pétala
Mas resiste e brilha
Outra lança seu pólen
Um botão exala seu brilho
E espalha o seu perfume

Kiko Azevedo 10 / 06 / 2012

domingo, 12 de dezembro de 2010

ANTONIO E SEU TEMPO

Um tempo
Foi só isso
Foi só isso que nos pediu
Esperamos um tempo
E a esperança se foi
Nos deixando
Cheios de dor
A dor de sua partida breve
A dor de não ter sentido
Suas dores
Para que sofresse menos
Para que não se fosse
Tão cedo
Ficou apenas vinte e quatro minutos
Não foi nem um tempo
Você merecia jogar
Os dois tempos
Quem sabe Deus
Esteja precisando
De um jogador com sua alegria
Para jogar no time dele
Por isso o retirou
Para poupá-lo
E assim só pudemos vê-lo
Jogar meio tempo
Você que jogava
Para o time e para a torcida
Não poderia jogar apenas
Meio tempo
Você Antonio
Deveria ter sido obrigado
A jogar os dois tempos
O intervalo, a prorrogação
E ainda ir para os pênaltis.

Kiko Azevedo 12 / 12 / 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

SAUDADE RETA

Botar as palavras no papel parece fácil
O difícil é usá-las para traçar uma reta
Unindo sentimentos
É dar sentido ao que se sente
Unir o sentimento de quem escreve
Ao que sente quem lê

Essa reta infinita
É uma seta,
Saudade, solidão, distância...
Flechas envenenadas
Que atingem corações e martelam mentes

Nem sempre atingem o que está próximo
Mas ferem o que está longe
Dias de sol ou nublados
Sempre são longas e intermináveis retas
Que nos separam

Kiko Azevedo 27 / 11 / 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

RESPOSTA

Se minha palavra te fala?
Me responde!
Se meus versos te tocam.
Não te afastas!
Se minha mão te afaga.
Corresponde!
A tua imagem em meus sonhos.
Me provoca.
A tua ausência ao meu lado,
Me sufoca.
Se sussurro teu nome enquanto durmo.
Te escondes.
Quando te procuro a noite,
Estás onde?

Kiko Azevedo  12 / 11/ 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

SÁBADO

O sol, a tarde, o encontro.
Um outro clube da esquina.
O violão, o poeta, o sorriso de Olindina.

O fim de tarde na tela, a aguardente cristalina,
Pra ver e ouvir os olhos numa canção de menina.
O alimento, o poema e o Raio da Cilibrina.

A boa música e a noite, um convite à neblina.
O prato à mesa, o aquário, e uma rosa ferina.
Velar pela dose incerta
De poesia e adrenalina.

O recital segue a noite,
Alguém escapa em surdina.
A Timbaúba e o corpo;
A cabeça, uma outra esquina.

Kiko Azevedo 30 / 10 / 2003

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CURA

Pai de divina bondade
Tira de mim o que te desagrada
Sei que estou doente preciso de cura.
Não quero o inferno pela eternidade.
Te peço olha para mim e brada
Filho estás salvo, já tua alma é pura.

Kiko Azeveo 17 / 02 / 2005

TU ÉS

És o caminho, a verdade e a porta,
E para ti não importa o que fui ou o que já fiz.
Em ti Jesus, encontrei felicidade,
A justiça, a igualdade;
És tudo que eu sempre quis.

Jesus é o Cristo, é a pedra e a vida,
Sara as minhas feridas,
Realiza os sonhos meus.
A ti Jesus, entrego meu coração,
E por vezes em oração eu te peço,
Fala por teu filho a Deus.

És o motivo do louvor e da alegria,
És a rocha onde um dia construí meu lar.
Palavra viva; é para ti que eu vivo.
Na vida do crente é motivo até do seu respirar.

Kiko Azevedo 01 / 10 2003

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

LEME

Já me vi cego e perdido,
E tive a vida no olho do furacão.
Não tinha rumo nem destino,
Era mais um no meio da multidão,
Não tinha paz nem ombro amigo,
Era um trapo vivendo em turbilhão.

Hoje minha vida está completa.
Pois encontrei a direção.
Já não me sinto perdido,
Vou para o céu encontrar com Abraão.
Tenho Jesus apontando o caminho
E em meu Deus a certeza de salvação.

Kiko Azevedo 09 / 08 / 2004

segunda-feira, 26 de julho de 2010

INCOMPEENSÍVEL SER

Sei que é impossível compreender.
Me diz; como pode alguém querer,
Ver a luz da lua, menor que a da vela,
Ver aquele aquário como uma cela,
E na prostituta a pureza da donzela.

Sei, meu ser não cabe naquele universo.
E o telefone, é maior que meu pinho.
Um alô distante vale mais que um verso
E tua cachaça é melhor que meu vinho.

Te levo à Bagdá, você vai pra Rocinha.
Eu de Transatlântico, tu de barco à vela.
Vejo mil razões para te satisfazer,
Não sei como pode alguém entender,
O incompreensível ser, mulher.

Kiko Azevedo 20 / 04 / 2004

quinta-feira, 22 de julho de 2010

LÍNGUA MORTA

Meu povo sofre uma crise de identidade,
Mora num tal Green Village
Ou Sunset Boulevard.
Está comendo um danado de hot dog,
Bebendo água em squize.
Ouvindo a parada tecno,
Lanchando no drive tru.

Isso me provoca insônia,
Está acabando comigo.
Da língua mãe ter vergonha,
Querer falar como gringo.

Vejo o meu povo renegar a identidade,
E pra conhecer a cidade,
Diz que faz um city tour.
Faz compras no shopping center,
E está mudando o look.
Fica em stand bay,
E põe as fotos num book.

E pra parecer moderno,
Participa de Workshop,
Diz estar fazendo marketing,
Tem em casa um Home theater,
E no umbigo um piercing.

Pra mostrar que é cult,
Só fala as coisas em off.
Diz que falar isso é in,
E que nossa língua é out.
Que seu visual é fashion,
Que a comida é diet ou ligth.
E que é da high society.

Mesmo estando numa rave,
Só freqüenta a área VIP,
Porque não suporta o rush.
E para tirar o stress,
Ouve música em disk man,
Em um tal de fitness.

Kiko Azevedo 31 / 10 / 2003